A vida se faz por meio da diversidade
e da diferença. E é aí que está a beleza de compormos uma variedade que se
baseia, justamente, em fazer cada um de nós ser ímpar dentro do universo.
Em nossa formação de sociedade, temos
e praticamos valores que são a base de nossa vivência, dentre eles o respeito.
Numa linha de tempo, o respeito pode ser visto como um dos principais meios de
relacionamento e conquista, que baseia as civilizações e seus conjuntos de diversidade.
Quando coloquei em minha lista de sonhos e anseios pessoais: Realizar um curso de Libras, pensava em alimentar minha vontade de aprender uma língua nova, e acabei descobrindo um novo mundo e uma nova maneira de lidar com essa sociedade. O que permite um pouco mais de contato e repeito.
Pelo caminhar da história, as pessoas
surdas têm passado por dificuldades grotescas e o sentimento de exclusão é a
grande herança que, por muito tempo, predominou nessas pessoas.
No desandar dos séculos, a deficiência
auditiva foi tida como um grande desafio para a sociedade, e vale somar os
esforços que houveram para se trazer essa comunidade ao acesso normal que todo
ser humano tem direito.
De modo muito rudimentar, a história
mostra que no mundo todo, as visões desse cenário eram diversas:
1501 – 1576 – Gerolamo Cardano
(Italiano), médico, matemático e astrólogo, cujo primeiro filho nasceu surdo,
sempre afirmou que “a surdez não impedia os surdos de receberem instrução”.
1614 – 1699 – Van Helmont (Holandês),
propunha a oralização para as pessoas surdas, por meio da língua hebraica.
Nasceu aqui a leitura labial.
1669 – 1724 – Johann Conrad Amman –
(Suíço), médico, desenvolveu procedimento para educar surdos com o uso de
espelhos e tatos, tendo vista na vibração da laringe. O que é utilizado até
hoje para terapias fonoaudiólogas.
1715 – 1780 – Jacob Rodrigues Pereira,
educador surdo português, foi para França ainda criança trabalhou com vários alunos
o conceito de oralização. Nesse sentido a escrita substituía a fala.
1712 – 1789 – abade Charles-Michel de
L´Épée – (Francês), educador filantrópico francês, tornou-se conhecido como o
“Pai dos surdos”, um dos primeiros a difundir e defender o uso de uma língua
específica: a língua de sinais. L´Épée criou a primeira escola pública, no
mundo, para surdos, isso aconteceu em Paris: Instituto Nacional para
Surdos-Mudos (expressão não mais utilizada) - (1760). O francês
fazia demonstrações de seus alunos surdos em praça pública, como forma de
arrecadar dinheiro e manter o funcionamento da escola.
L´Épée trouxe a educação religiosa
para essa comunidade. Sua obra mais notada foi “A Verdadeira Maneira de
Instruir os Surdos-Mudos” (1776).
2002 – 24/04/2002 – Brasil. No Brasil
o marco foi no momento no qual a Língua de Sinais foi reconhecida como a língua
materna da pessoa que nasce surda. Isso significa que essa deve ser a primeira
língua aprendida pela criança surda e sua instrução deve ser mantida em escolas
e afins. Essa atenção mantém a digna conectividade da criança no ambiente comum
da sociedade. De modo que pode-se perceber que não há diferença entre uma
ouvinte ou uma pessoa surda. A essência é a mesma, a dor, a felicidade, o amor.
No Brasil, a língua foi batizada pela
LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002 como Libras – Língua Brasileira de
Sinais.
Essa breve história nos coloca em
frente a uma realidade bruta que, por marcos e conquistas, está sendo
transformada naquilo o que deve ser: um cenário de igualdade social e
valorização do ser humano.
A todos, entrego as lágrimas de alegria para esse desafio e realização. Vamos “quebrar a mão” e tomar posse
dessa língua com carinho.
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Sustentabilidade também é ouvir a parte interessada. Por isso falei: